18 out 2015

Efedrina: um risco eminente ao coração



biceps

 

A efedrina é um componente dietético consumido por atletas de diferentes modalidades esportivas (Casella et al, 2014). Analisando o consumo de estimulantes por atletas universitários de hóquei, um estudo mostrou através de um questionário que mais da metade dos atletas (51,8%) utilizavam os estimulantes antes de um jogo de hóquei ou outra prática esportiva. Dentre 139 pesquisados 51,8% do total de pesquisados (n=139) foi relatado que já tinham feito uso da efedrina na busca de melhorar o desempenho atlético (48,5%) dos praticantes.

 


Outro dado observado é que mais da metade (55,4%) estavam cientes da proibição do uso da efedrina no país (Bents & Marsh, 2006). Em um recente estudo foi visto que 15,2% dos adultos americanos utilizam suplementos alimentares sem a prescrição médica visando a perda de peso. Dentre estes a efedrina, que em fevereiro de 2004 foi proibida pela Food and Drug Administration, pois foi comprovado um aumento do risco de arritmias, hipertensão e mortalidade após o uso dos produtos que continham estes simpaticomiméticos ou drogas adrenérgicas (Peterson et al, 2008).

 

Devido ao alcaloide ser utilizado amplamente, tem sido motivo de estudos mesmo sem muitas evidências de possíveis efeitos ergogênicos para performance esportiva (Bohn et al, 2003). Muitos deles acham que estão ingerindo outra substância como a Ma Huang na tabela nutricional, porém não imaginam que o extrato é rico em efedrina, considerada assim uma pseudo-efedrina, já que em 250mg do extrato se encontram 20mg de efedrina. Geralmente o uso está associado a quem procura uma rápida perda de peso e redução de ganho energético. Seu uso está associado a implicações psicoativas, tais como taquicardia, arritmias e doenças cardiovasculares (Hall et al, 2014).

 

Um relato de caso no estudo de Fort et al (2006) mostrou que um paciente do sexo masculino, de 28 anos que lutava vale-tudo era usuário do suplemento Therma-Pro ®. O paciente utilizava 4 comprimidos/dia do Therma-Pro ® quando teria de perder 12kg em 20 dias para a luta, associado a um treinamento físico intenso e dieta. No seu terceiro dia de uso já apresentava uma dor torácica de forte intensidade, e após 6 dias do sintoma inicial o paciente já apresentava síncope e hemiparesia direta (problemas relacionados com o déficit motor e paralisia parcial do corpo). Porém, mesmo após intervenção de 30 dias o paciente apresentou insuficiência cardíaca.

 

Outro relato foi em uma mulher de 19 anos, que fazia uso da efedrina relatando que o alcaloide poderia levar a uma performance no esporte. Após 10 dias de uso de efedrina, a mesma desenvolveu taquicardia ventricular (Rakovec et al, 2006). Mais dois casos foram investigados e foi visto que a arritmias ventriculares foram relacionadas ao uso abusivo de efedrina. Por meio de uma biópsia foi notado uma necrose e uma lesão miocárdica pelo excesso de catecolaminas (Casella et al, 2014). Em outro relato, um homem de 36 anos foi levado ao serviço de emergência após entrar em colapso durante a execução de uma maratona, e novamente foi notado um quadro de taquicardia, e sudorese excessiva. Antes da corrida o indivíduo confirmou ter consumido um suplemento dado por um amigo, que continha altas doses de efedrina (60mg) (Rhidian, 2006). Isso se deve porque após a liberação de catecolaminas endógenas, há uma maior estimulação de receptores adrenérgicos α-1, β-1 e β-2, e causam diversas reações como vasoconstrição, elevação da pressão arterial e frequência cardíaca (Forte et al, 2006). Isto porque os receptores de efedrina no corpo humano são encontrados em células que incluem coração, pulmões e os vasos sanguíneos (Chen et al, 2012). O que corrobora que uma substância que pode aumentar efeitos sobre o sistema cardiovascular, também podem desencadear taquicardia e outras complicações relacionadas ao coração.

 

Mais cuidado ao comprar seu termogênico, as empresas de suplementos alimentares principalmente as estrangeiras utilizam o artifício de usar nomes científicos como a Ma Huang para a efedrina ou 1,3,7 trimetilxantina para cafeína, no meio de ludibriar o consumidor. Questione quem lhe indicou, será que estes sabem dos relatos constatados até aqui? Olha que foram poucos, poderia fazer um artigo só de relatos da efedrina e problemas relacionados ao coração.

 

Luiz Eduardo Marinho Falcão


Equipe Musculação Total



  








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