19 jul 2013

O marcador sanguíneo CPK nas avaliações clínicas esportivas



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Hoje em dia, podemos dizer que com o grande avanço tecnológico da ciência de um modo geral, o segmento esportivo ganhou diversas formas inovadoras de avaliação, diagnóstico e prognóstico esportivo, seja no atendimento de atletas em suas diversas modalidades esportivas, como no atendimento clínico de pacientes praticantes de exercícios resistidos de musculação que buscam o aumento do desempenho físico, mediante a objetivos almejados.

 


Com isso, o profissional atualmente conta com um arsenal de medidas técnicas de diagnóstico, podendo ser na forma de exames sanguíneos laboratoriais, exames clínicos, exames de imagem, exames complementares em máquinas (esteiras, cicloergometros), etc. Hoje, abordaremos nesse artigo, um marcador sanguíneo bastante solicitado em consultório nos exames sanguíneos laboratoriais, chamado de CPK ou Creatina Fosfato Quinase.

 

Afinal, o que significa a Creatina Fosfato Quinase em nosso organismo?

 

Bem, a Creatina Fosfoquinase (CPK) é uma enzima bastante importante no metabolismo energético alático ATP-CP, encontrada abundantemente no músculo esquelético, músculo cardíaco (miocárdio) e cérebro. Tem como função de separar a molécula de fósforo contida na creatina, formando ATP (principal molecular energética celular). A enzima creatina fosfato quinase (CPK) têm sido amplamente utilizada como marcador indireto de dano muscular, além de alguns profissionais utilizarem a CPK como um referencial marcador de desgaste físico do atleta. Esta enzima têm sido relacionada principalmente em lesões musculares decorrentes da fase excêntrica do exercício, podendo permanecer aumentada em até 7 dias após a realização de um esforço muscular. Dentre tantas aplicações usuais do marcador CPK na avaliação esportiva, existem diversas variáveis a serem consideradas quanto a utilização desta enzima como marcador de dano muscular ou estado de treinamento. Dentre elas, podemos destacar:

 

Concentrações basais: Atletas ou praticantes freqüentes de exercícios resistidos, apresentam com freqüência as concentrações de CPK elevadas durante o período de preparação e de competições, devido ao fato de sempre estarem treinando. É interessante verificar os valores basais (descanso) dessa enzima quando estes estiverem de férias ou em períodos sem sessões de treinamento, para poder comparar com períodos de treinamento intenso.

 

Princípio da individualidade biológica: Uma das variáveis a serem consideradas quanto à prescrição desta enzima é a variabilidade nas respostas da CPK entre indivíduos. Dentro de um mesmo grupo, com indivíduos de características semelhantes, podemos ter uma grande variação da CPK. Isto deve ser levado em consideração quando se compara indivíduos de uma mesma modalidade esportiva.

 

Pico de CPK: O pico sérico de CPK é geralmente encontrado depois de 48 horas de um esforço intenso, podendo estar alterado até 7 dias após a realização de um esforço físico, como relatado anteriormente. Esse é um fator que com certeza atrapalha e muito a utilização desta enzima como marcador de estado de treinamento de um atleta ou equipe em uma periodização. O ideal é que quando se utilize a CPK como algum tipo de marcador de estado de treinamento do individuo (antes de uma prova, em uma avaliação física, reapresentação em seu clube, entre outras situações), o atleta esteja a pelo menos uma semana sem praticar nenhuma atividade física, pois em um período menor do que este a resposta da CPK pode estar alterada devido a ultima sessão de treinamento realizada pelo atleta.

 

Estado de treinamento: O nível de treinamento também é importante quando se utiliza a CPK. Indivíduos sedentários têm uma maior probabilidade de aumentar a concentração desta enzima após a realização de um esforço físico do que indivíduos treinados que realizem o mesmo esforço. Existe também um fenômeno denominado efeito protetor da carga, que indica que o treinamento sistemático diminui o dano muscular, ou seja, se um paciente faz um esforço hoje, o mesmo terá um dano muscular maior do que se ele repetir o mesmo esforço daqui a algum tempo.

 

Diferença entre os gêneros: Em valores de repouso e após a realização do exercício, a CPK tende a ser menor em mulheres quando comparado a homens. Este item deve-se pela ação do estrogênio, um importante fator de proteção da estabilidade da membrana após o exercício. Este hormônio evita o extravasamento da CPK.

 

Outras interferências: Indivíduos com alguma doença ou estados imunosuprimidos, podem fornecer um falso resultado, ou seja, os valores de CPK podem estar aumentados. A temperatura ambiente e o gênero também podem interferir nesse resultado.

 

A importância do referencial CPK no atendimento clínico.

 

Podemos mensurar que na grande maioria das técnicas empregadas de treinamentos com pesos, utiliza-se o principio da periodização o que varia em intensidade e volume de acordo com o período do programa, passando por treinamentos intensos de potência, força, hipertrofia e resistência. Nesse caso, a avaliação da CPK nas diferentes sessões de treinamento periodizado, se faz necessária para nos mostrar em qual intervalo de treino houve maior magnitude de dano muscular. Sendo assim, poderá surgir dúvidas na interpretação dos exames de CPK, levando o profissional, muitas vezes, ao deparar com altos valores de CPK, desconfiar de um desgaste físico agudo, mediante a sessão de treino, o que nem sempre é verdade, pois o mesmo resultado pode ser devido ao organismo se encontrar em fase de recuperação muscular regenerativa, devido a treinamentos anteriores. Outro fator de relevância no uso da análise da CPK é o nível de estresse fisiológico do organismo, uma vez que valores em picos de CPK, podem nos mostrar um processo de queda da resposta imunológica ou estressante do organismo. É interessante também deixar claro, que existem várias frações de CPK em nosso organismo, como a CPK MB, presente em células do miocárdio (coração), CPK BB, presente em células cerebrais e por fim, de interesse nosso na prática esportiva, a CPK MM, comumente encontrada na musculatura esquelética. Essa ultima, tem uma função muito importante na avaliação clínica de nosso paciente, seja ele atleta ou praticante esportivo, pois juntamente com a análise de outras enzimas e demais funções orgânicas, nos revela o estado fisiológico atual do individuo, dando-nos condições de atuação mais específica e favorecendo resultados num espaço de tempo menor.

 

edson rosa

 

Dr. Edson Carlos Z. Rosa.
Cirurgião Facial.
Fisiologia Esportiva e Metabologia.
E-mail: edson_rosa@hotmail.com
Página profissional no Facebook: fb.com/DrEdsonRosa


Equipe Musculação Total

  






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Uma resposta para “O marcador sanguíneo CPK nas avaliações clínicas esportivas”

  1. Boa Tarde,
    Parabéns pela didática da explicação. Trabalho com atletas dentro do método pilates e meu novo cliente após 1 ano está retornando de uma lesão muscular com níveis altíssimos de CPK. Vc poderia me indicar alguma leitura ou artigo? Sou formada em fisiologia do treinamento. obrigada.

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