5 mai 2016

O cromo é um recurso ergogênico nutricional?



suplemento-cromo

 

O mineral pode ser encontrado em alimentos como oleaginosas, cereais integrais, aspargos, carne, ameixa, cogumelos, leguminosas, cerveja e alguns vegetais (Tirapegui, 2005). Onde se recomenta através da ingestão segura entre 50 a 200mcg/dia (Tirapegui, 2005; Wolinsky e Hickson Jr, 2002). Mesmo sem haver um limite tolerável para a sua ingestão (UL). Já deve ter ouvido falar do mineral que promete reduzir a vontade de ingerir doces, o cromo. Porém a literatura mostra uma coisa, mas os estudos no esporte dizem outra. E ai, o cromo traz benefícios ou não no esporte?

 


Na nutrição o cromo ganhou maior espaço desde que um paciente que apresentava resistência a insulina e neuropatia recebeu uma solução parenteral onde esboçou melhoras no diabetes tipo 2. Após 200mcg de Cl de cromo ser adicionado não foi mais necessário a administração exógena de insulina (Jeejeebhoy et al, 1977). O que levaria a hipótese de que o cromo pudesse aumentar a sensibilidade da insulina com a captação de glicose.

 

Além da possível captação de glicose, o mineral parece inibir a enzima HidroxiMetilGlutaril-CoA-redutase, que não deixaria o ciclo do colesterol avançar até mevalonato, reduzindo o perfil lipídico em relação as lipoproteínas de baixa densidade (LDL, VLDL) e no possível aumento das lipoproteínas de alta densidade (HDL), em indivíduos que possuem valores iniciais alterados (Williams, 2002; Gomes et al, 2005). E ai, com tanta promessa o cromo ta igual a político não é verdade? Vamos aos estudos?

 

Analisando o metabolismo de glicose com a intervenção do cromo, Joseph et al (1999) reuniram 32 indivíduos de ambos os sexos e suplementaram com 924mcg/dia de picolinato de cromo e submeteram os mesmos a 12 semanas de um treinamento resistido (TR). O estudo mostrou que as altas doses de cromo não mostraram efeitos positivos em relação a medida do metabolismo de glicose. Da mesma forma que Fernandes et al (2008) quando interviram com 200mcg/dia de picolinato de cromo em indivíduos do gênero masculino (n=13), que após seguirem o protocolo de teste foram submetidos a uma esteira 4 horas antecedendo a inanição. O que mostrou que o grupo placebo mostrou uma variação maior que o grupo que suplementou com picolinato de cromo nos níveis de glicemia.

 

Em relação ao perfil corporal Trent & Thieding (1995) após selecionarem 95 indivíduos de ambos os gêneros e suplementarem com 400mcg/dia de picolinato de cromo em 30 minutos de um exercício aeróbico três vezes por semana em um período de 4 meses, e não notaram redução da gordura corporal ou aumento de massa corpórea magra em relação ao grupo que não suplementou (placebo). Da mesma forma que Hallmark et al (1996) que suplementando uma dose menor (200mcg/dia de picolinato de cromo) em indivíduos destreinados do gênero masculino (n=16) em um exercício que envolvia 2 séries de 8-10 repetições a 90% de 1-RM por três vezes na semana não promoveram diminuição do percentual de gordura, aumento de força e massa magra em um grupo que não recebeu suplementação.

 

Diferente da literatura, o picolinato de cromo não se mostrou um recurso ergogênico nutricional eficaz para manter os níveis de glicemia, pois a ligação do oligopeptídeo (LMWCr) não parece ser eficaz na ligação com os receptores perífericos glut. E em relação ao perfil lipídico também parece haver uma contradição. Os estudos disponíveis até o momento não corroboram com o sensacionalismo imposto nas revistas e marketing relacionado ao suplemento cromo. Procure um nutricionista para adequar sua dieta com o rendimento esportivo, não seja ludibriado por charlatões!

 

Autor: Luiz Eduardo Marinho Falcão

 


Equipe Musculação Total



  








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